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Conformidade na Saúde
Trajetória

Nunca escolhi a saúde por vocação. Fiquei porque não consegui sair.

O que segue não é currículo. Currículo está no LinkedIn e cumpre bem o papel dele. Aqui é a versão contada, com as escolhas que importaram e as que só entendi depois. Começa numa rodoviária e termina numa praça.

João Gonçalves sorrindo, de camiseta com a palavra Privacidade

A camiseta é uma piada interna que virou uniforme.

Antes de tudo, a estrada

Nasci em Manhumirim, na Zona da Mata, e cresci em Belo Horizonte. Voltar para lá se fazia de ônibus, na Viação Pássaro Verde. Eu era menino e aquilo não era deslocamento: era o acontecimento do ano. A carroceria creme e verde encostando na plataforma, o cheiro do diesel, a serra abrindo curva depois de curva.

Ficou. Boa parte do que penso sobre trabalho vem daí: existe o mapa e existe o trecho, e quem só conhece o mapa erra a curva.

Quinze anos, hospital de olhos

Comecei em dois de dezembro de 1996, aos quinze anos, contratado por um hospital especializado em oftalmologia em Belo Horizonte. Fui office boy, fiquei na portaria e na recepção, passei pelo auxiliar de arquivo e terminei faturista. Oito anos ali.

Não conto isso por nostalgia. Conto porque quem passa pelo arquivo e pelo faturamento de um hospital aprende cedo três coisas que não se aprendem em curso nenhum: onde o dado nasce, quem preenche o dado, e quem paga a conta quando ele está errado. Trinta anos depois, é exatamente disso que eu vivo.

Em dois de dezembro de 2026 fecho trinta anos dentro do setor de saúde, sem nunca ter saído dele. Não foi plano. Foi o que aconteceu enquanto eu procurava outra coisa.

Dezoito anos e dezessete estados

Aos vinte e três fui contratado por uma fábrica de software para saúde, em Contagem. Entrei como atendente e saí gerente de relacionamento, dezoito anos depois.

No suporte ao cliente aprendi relacionamento, trabalho sob pressão e a necessidade real do setor, aquela que não aparece no requisito escrito. Na implantação aprendi processo, prazo e qualidade, que é uma escola diferente e mais dura. Como gestor comercial, visitei mais de trezentas instituições de saúde em dezessete estados brasileiros.

Muita estrada de novo, agora sem o Pássaro Verde. Muita reunião, muito aeroporto, muita rodoviária. E o aprendizado que só se tem visitando: o hospital do interior e o de capital enfrentam o mesmo problema com recursos completamente diferentes, e quem generaliza a partir de um erra o outro.

João Gonçalves trabalhando em sua mesa

A mesa de hoje. A escola foi outra.

Quando os dados viraram o centro

Esses dezoito anos coincidiram com a minha formação em direito, com a especialização em gestão de saúde e com a chegada do GDPR na Europa e, na sequência, da LGPD aqui.

Foi aí que as peças se encaixaram. O conhecimento de gestão, a prática em tecnologia e a formação jurídica encontraram um momento regulatório que pedia exatamente essa combinação. Percebi que ali não havia apenas uma oportunidade de negócio. Havia uma forma de reunir tudo o que eu tinha aprendido em algo que de fato tinha força para ajudar as instituições e o mercado.

Do ponto de vista técnico, esse caminho me levou às certificações que hoje sustentam boa parte do meu trabalho: CIPM, CDPO e Lead Implementer da ISO 27701. Elas importam menos como título e mais como método: cada uma me obrigou a organizar de forma verificável aquilo que, até então, eu fazia por intuição acumulada.

Construir em vez de opinar

Em algum momento ficou claro que parecer jurídico não conserta processo. Foi daí que vieram as duas empresas que dirijo hoje. A HDPO nasceu para fazer conformidade acontecer dentro das organizações de saúde, em regime de acompanhamento e não de diagnóstico avulso. A PROTEGON nasceu do problema seguinte: sem ferramenta, a conformidade depende de memória e de planilha, e nenhuma das duas resiste a uma troca de equipe.

Essas duas frentes têm site próprio e vida própria. Não é sobre elas que escrevo aqui.

O que estou estudando agora

Estou concluindo o mestrado em Digital Business, e a escolha do programa não foi por acaso. Depois de trinta anos no setor, o que me interessa hoje é a camada de cima: como uma organização de saúde decide, mede e sustenta aquilo que resolveu ser. É a fronteira entre direito e administração, e é para lá que pretendo caminhar.

Jequitibá

Manhumirim é onde nasci. Jequitibá foi escolha, e foi amor à primeira vista. É a capital mineira do folclore, e eu gosto de folclore pelo que ele é de verdade: tradição e memória, a forma que um lugar encontrou de não esquecer de si. A cidade ainda tem a simplicidade do interior de Minas, a prosa na praça e o pôr do sol mais bonito do mundo, o que eu afirmo sem nenhuma pretensão de neutralidade.

Minha esposa e eu compramos ali uma pequena propriedade, e estamos transformando o lugar aos poucos no espaço de descanso e sossego que a gente queria. É obra que não tem pressa, e é justamente por isso que dá prazer.

Fora dali, o que me move continua sendo o mesmo: temos uma van para viagens em grupo, encontros pequenos em cidades turísticas e muito passeio. Gostamos de juntar os amigos dos nossos filhos, ainda adolescentes, e levar a turma para jogos de futebol e campeonatos. No fim, é sempre a mesma história: sair de um lugar e chegar em outro por terra, com gente boa dentro do carro.

Para o histórico profissional em formato de currículo, com cargos, datas e formação, o LinkedIn está sempre atualizado.

Sobre a cor deste site. O verde não é decisão de designer. É o verde da Viação Pássaro Verde, que me levava a Manhumirim quando eu era menino. O creme ao lado dele é o da mesma carroceria. O vermelho que aparece nos detalhes é o ferro de Minas, e as linhas tracejadas que separam as seções são o que se vê no meio do asfalto, de Belo Horizonte até a serra.